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Telma Da Costa
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No exercício do aprendizado da arte de escrever tenho tido minhas crônicas e poesias requisitadas por muitas pessoas,normalmente depois dos meus shows. Encontrei no blog o veículo ideal para responder a essas solicitações. Sempre que eu tiver algo a dizer estarei aqui de volta. Beijos, Telma Da Costa - Cantora telmadacosta@globo.com Ps- SE VOCÊ QUISER VER TODOS OS TEXTOS DESSE BLOG, POR FAVOR, CLICAR EM "ARQUIVOS", NO FINAL DA PÁGINA Segunda-feira, Novembro 07, 2005 Comments: O MARCADOR DE PAPEL Telmah da Costa Ontem eu comprei um livro, edição de 1967, numa feira, no centro do Rio de Janeiro. Eu fui lá por causa da Emilinha Borba. O dono de umas das casas noturnas mais famosas da Lapa tinha me dito que haveria uma homenagem a ela, mais uma de tantas que a cantora, que marcou época com a alegria de suas marchinhas, rainha absoluta do carnaval brasileiro e campeã de recebimento de cartas da Rádio Nacional por 20 anos consecutivos, recebeu. Aliás, cá pra nós, não devia ser nada fácil ficar no pódio por tanto tempo, numa época de ouro da música brasileira, onde o talento de cantores e compositores jorrava aos baldes. Queria prestar a minha discreta homenagem, um mês depois de sua morte (digamos, ¿transferência¿), apesar de eu já tê-la feito em sua missa de 7° dia, ao ser convidada a cantar uma de suas músicas preferidas, ao lado do Jerry Adriani. Sua morte me chocou, me fez sentir um pouco órfã. Sentimento este, compartilhado por outros milhares de pessoas pelo país. Cada vez que murcha uma flor de nosso jardim parece que a vida fica menos bela. Eu nunca tinha ido a essa feira, mas agora vou virar freqüentadora da R. do Lavradio, todo 1° sábado do mês, a partir das 11 da manhã nem tendo hora pra acabar. É só alegria. Barraquinhas de produtos antigos e novos se misturam por toda a extensão da calçada, e do outro lado os bares e restaurantes recebem o povo com mesinhas na calçada e muitos quitutes, onde os transeuntes se revezam com seus copos cheios de alegria. Incluído no cardápio tem desfile com bandas, danças e acrobacias; todos devidamente vestidos com figurinos e maquiagem impecáveis. É uma mistura de etnias, cores e sorrisos, em que não se faz distinção de classe social. É um pedaço de mundo perfeito, onde você ainda pode esbarrar em gente famosa de camiseta e bermuda. São escritores, cantores, poetas, antigos amigos, possíveis amores e deliciosas antiguidades de uso pessoal: bijouterias, cama, mesa e estante. Se der sorte pode até esbarrar com o síndico do seu prédio. Tem de tudo. E foi ali, entre os livros, revistas e gibis antigos que me deparei com o inimaginável: um livro pequeno, menor que um palmo da minha mão também pequena, e da grossura do meu dedo polegar. Um livro de capa dura, azul muito claro, que o Roberto Carlos escreveu no auge do sucesso, no tempo da Jovem Guarda, instigado por amigos pessoais que achavam que interessariam ao público as anotações que ele fazia desde os oito anos de idade e não o valor literário: ¿Roberto Carlos em prosa e verso¿, da Editora Formar. Uma pequena jóia rara, recheada de não menos valiosos pensamentos, reportagens e comentários. Já era claro, desde a tenra idade, a sua alma de poeta, sua sensibilidade e percepção das coisas simples e fatos corriqueiros, que sob o olhar poético ganha outra dimensão. E se não houvesse essa "poesia" já seria precioso, por nos situar na linguagem do jovem dos anos 60 e suas gírias, que mudam a cada geração. Degustei Roberto Carlos com cuidado, sem pressa, tentando absorver o seu mundo. Eu recomendo esse cardápio de simplicidade e poesia. Foram muitas as sensações desde que cheguei ontem à R. do Lavradio até este momento na página 70/71. Eu estava totalmente absorta no mundo de Roberto (já fiquei íntima), quando eu não só descobri porque ele deixou o cabelo crescer (quarenta anos atrás é possível que isso fosse uma incrível "descoberta") : ¿ Vou deixar meu cabelo crescer. Vou ficar diferente, bem jovem guarda! Qual nada, não é por isso: simplesmente vou deixar o cabelo crescer. Aparecerão sociólogos, psicólogos, psicanalistas, gente ¿cobra¿ e dirão mil coisas vendo o meu cabelo crescer, mas eu apenas vou deixá-lo crescer e mais nada; pra que complicar?...¿, como também me deparei com um pedaço rasgado de papel de caderno, marcando aquela página. Até então eu tomava o livro por não lido, tão bem conservado estava. Eu, que já estava envolta com tanto passado, mergulhei naquele pedaço de papel e fui fundo. O pedaço vinha de um caderno de espiral, de um branco já amarelado, que havia sido amassado antes de ser rasgado e transformado em marcador de livro. Fiquei pensando sobre a dona (teria sido mulher? Acho provável). Talvez uma estudante e aquele era o seu caderno de escola. Mas por que usou uma folha amassada? E por que ela estava amassada? E por que ela parou a leitura na página 70? Quantos anos ela teria hoje, e por que vendeu esse livro? Ou será que ela já foi ¿transferida¿ e algum parente, sem saber da importância do seu conteúdo, o vendeu a ¿preço de banana¿ (aliás, nos tempos de hoje a banana nem está tão barata assim, pra fazer valer o antigo jargão). Questões sem nenhuma relevância, mas ótimas para passar o tempo dando uma de detetive. Minha cabeça gira diante de tantas perguntas. Se um dia tirarem a impressão digital desse papel, vão saber que ao menos 2 pessoas leram esse volume, ela e eu, e vão questionar a mesma coisa a meu respeito: ¿De quem era essa segunda impressão, feita tantos anos depois? Qual era o seu interesse no livro, e por que a leitura fora interrompida na página 70?¿ (sim, porque eu não vou tirar esse pedaço de papel daquela página ¿nunquinha da silva¿. Vou deixa-lo lá, onde a primeira dona (ou quem sabe a última antes de mim) deixou. Será a minha secreta homenagem (agora não mais secreta, pois este texto vai pertencer a quem ler). Aliás, escrevi estas linhas simplesmente para homenagear essa desconhecida, que um dia pegou uma folha amassada de um caderno, rasgou um pedaço e o transformou em marcador, sem sequer imaginar que tanto tempo depois esse seu ato seria percebido com tanta curiosidade por uma leitora do mesmo livro, que ¿cruzou os dedos¿ na R. do Lavradio para que o curioso e provável comprador anterior desistisse de levá-lo e não lhe desse o valor devido. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Segunda-feira, Outubro 24, 2005 Comments: AINDA ... Telma Costa Versão autorizada do poema "Regreso" de BELLA CLARA VENTURA, especialmente a pedido da autora colombo-mexicana (poeta, novelista e cineasta) Ainda sinto, como se fosse agora, O teu olhar acariciando meus olhos, Minhas pupilas, minha alma inteira; Acendendo a fogueira. Ainda me arrepia lembrar de tuas carícias Me arrebatando com força, Me pegando de jeito E me tomando em meu leito. Ainda gemo ao lembrar quando, em sussurros, O meu nome se confundia com o teu, E meus seios, com tuas mãos. Era tanto vulcão, a natureza atesta, Tanta lava, tanta erupção, tanta festa... Ainda me sinto ungida Pelos mistérios de luz e sombra Que cercavam nossa sede sempre anunciada, Sempre renovada, sempre saciada. Ainda sonho com os beijos teus Alimentando minha alma faminta, Meu instinto, Labirinto... E volto a te amar, Como quando não eras anjo, Nem sinônimo de demônio, Ou pseudônimo. Apenas me fazias mulher, Me fazias melhor, Porque me conheces de cor, Nem santa, nem puta, Apenas absoluta. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Domingo, Outubro 23, 2005 Comments: ARPOADOR Telma Costa O Arpoador vai ser considerado patrimônio nacional. Vão recuperar sua vegetação natural. A notícia veio para alegrar as Ongs de proteção à natureza e a todos quantos têm um mínimo de preocupação com a geração futura e seu legado. As pedras gigantes do Arpoador já não eram mais as mesmas há muito tempo. O Arpoador, com sua montanha de pedras, é a linha divisória entre a Praia de Copacabana e Ipanema. Nas pedras do Arpoador as ondas se quebram violentamente, produzindo um espetáculo de rara beleza. Dali se vê o melhor pôr-do-sol do Rio de Janeiro e ali os pescadores fazem festa com seus anzóis nunca vazios. Vão recuperar o Arpoador e preservar sua beleza! Os cariocas agradecem, os turistas também; e eu, de um modo muito particular. Afinal, não foi lá que eu o conheci, mas foi lá, sobre as pedras ainda quentes do entardecer, que vivi momentos de amor imenso, de amor intenso, de um amor puro, de um amor que nunca desabrochou, de um amor que ficou. Sob o olhar do sol que se punha, eu o ouvia em suas longas conversas, eu falava, trocava, eu olhava aquele garoto lindo, de olhos tão azuis quanto aquele mar tão imenso, tão imenso quanto a sua boca que eu pouco beijei e que guardava aquele sorriso lindo, tão lindo quanto os cabelos cacheados, tatuados de dourado, que eu pouco acariciei. Como pode um amor tão grande e tão pouca ação, e tamanha repressão? Ah, o amor da ingênua juventude, a juventude que tem todos os elementos pra viver um grande amor, menos a coragem para fazê-lo. Não sei se eu era a santa e por isso ele não me beijava, ou se era eu que o endeusava e por isso não o tocava. Só sei que era assim. Foi então que a vida, implacável em suas bifurcações, tratou de nos separar para sempre. Mas nunca me esqueci daquele Arpoador que passou a ser ele, e ele o Arpoador. Sempre escolho o caminho do mar, o caminho da praia, só para olhar para ele, mesmo que de soslaio. Nunca mais o visitei, nunca mais o escalei para ver o pôr-do-sol. Eu não o toco, apenas o vejo de longe. Olho na direção do Arpoador e num piscar de olhos tanta coisa posso lembrar, e sentir e reviver... um tempo em que eu não sabia que era preciso lutar pelos sonhos (eu achava que sonha-los já era a garantia de tê-los), um tempo em que amei e tão pouco beijei, tão pouco o toquei, tão pouco aproveitei... postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Sexta-feira, Setembro 23, 2005 Comments: ALÉM DO HORIZONTE Telma Costa Aprendi desde criança, na barra da saia de minha mãe, tias e vizinhas, que traição é pecado, é desacato, é desrespeito. Quando o assunto não era a traição do fulano, elas trocavam receitas de doces e bolos. Não trocavam experiências, não falavam de sexo, não falavam de vida. Eram mal amadas, bem arrumadas e desamadas. Secas como uva passa. Sem cheiro como fruta de véspera. Sem graça na alma. A traição dos homens as consumiam e se orgulhavam da própria fidelidade. E nessa prisão, sem sol, sem ar, sem água, elas iam murchando, não percebendo que o tempo passa, perdendo o viço do olhar, do andar. Nunca entendi porque tanto peso à traição. Talvez porque lhe dessem o seu devido valor... só que um valor ao contrário. No fundo sabiam que além do horizonte não há abismo, nem morte, mas vida, calor e sorte. Hoje eu traio o meu amor, e é quando eu mais amo o meu amor. Não é amor de culpa. É amor de saudade, amor de afeto. É um misto de fogo e água. Tesão e leveza. É quando vejo o que ele tem de melhor, e não o culpo do desafeto, não o culpo de seus defeitos. Vou pra lá, pra além do horizonte, e volto inteira, renovada; Volto bem humorada, volto em paz, volto mulher _Por isso volto melhor... Fêmea no cio. Sem perceber me libertei. Furei o cerco. Não repeti a história ancestral. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Comments: HÁ MONSTROS SIM, ALÉM DO HORIZONTE! Telma Costa Não, minha cara poeta! Além do horizonte, Nos mares em que navego, Existem monstros marinhos, sim, E existem abismos e morte. Esse sempre foi o meu norte. Foi assim que meu pai me ensinou, E minha mãe concordou. Foi assim que meu avô o ensinou E minha avó não lamentou, Ao contrário, assentiu, Assistiu, Consentiu. Foi assim que sempre existiu. Sim, sou machista! E você, cara poeta, Anarquista! ¿A traição está para o homem Assim como a vaidade está para a mulher¿ Se a fórmula é gasta Ao menos me satisfaz ; A mulher tem que ser casta E o homem aquele que faz, O algoz, o capataz! Antes de saber Que além do teu horizonte Não existia dor, só prazer, Eu gozava da calmaria No meu porto alegre e seguro. Te asseguro! Agora que trazes nova proposta, Que apostas num horizonte sem ais, Trazes também vendavais. Não crês em monstros, cara poeta, Porque no exercício da tua liberdade És um deles na sociedade! Acaso pensas que com um poema Da noite para o dia mudarias meu lema? No meu porto seguro Não cabem esses pensamentos, Não cabem esses questionamentos. Por isso, peço desculpas, cara poeta, Mas vou recolher meus anzóis; Que no meu horizonte, Apesar de tanta bonança, Se vê nuvem escura E muita, muita censura. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Comments: MULHER É COISA SÉRIA ! Telma Costa Mulher é coisa séria, Não se pode levar na pilhéria. Tem que haver investimento, Lhe dar necessário alimento: Não se deixa uma mulher sem esperança. Ela pode virar a página, e, sem confiança, Não mais dar valor pra aliança. Não se deixa uma mulher sem sonhos. Ela pode, então, desistir De fazer o parceiro existir. Não se deixa uma mulher sem afeto. Ela pode murchar a própria alma E perder a paciência e a calma. Não se deixa uma mulher sem tesão, _Vai que ela não queira abrir mão? Não se pode viver sem paixão. Não se seca por dentro uma flor E fica impune o agressor! postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Comments: ÀS VEZES, HIBERNAR É PRECISO ! Telma Costa O que fazer quando o coração dói de tanto amor e saudade, Palpita tão rápido e forte que pensamos que sairá pela boca e não podemos fazer nada !?: HIBERNAR!!! Hibernar como os sapos no deserto, nos longos meses de seca: Que cavam fundo sob a lama seca do rio seco. Se distanciam da desgraça estabelecida, Respiram devagar, economizam energia. E assim, sobreviventes da própria desgraça, voltam à tona após as primeiras chuvas: Incólumes! Às vezes, hibernar é preciso, Quando a situação não está para ações, nem decisões. Economizar energia e ressuscitar-se a si mesmo, E esperar com calma pelas primeiras chuvas Cheias de gotas de vida e esperança! postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Comments: QUESTÕES INÚTEIS Telma Costa Me arrepender do que foi, ou do que não foi : Pra que serve essa equação? Pra que serve essa questão? Que maior perda de tempo pode haver Do que pensar no beijo não roubado, No encontro desmarcado, No abraço não dado, Na vida não compartilhada? Pensar que as palavras poderiam ter sido outras Ou ditas em momento outro, Que as promessas poderiam não ter sido feitas, Ou ao menos cumpridas, Que eu poderia ter notado que eu me repetia nos tipos que escolhia? Por isso, como eu dizia, Tenho que cuidar da minha vida. Parar com essas questões. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Comments: AI... Telma Costa Ai, esse vazio que não passa, Essa saudade que não passa, Essa angústia que não passa. Desgraça! Ai, essa dor que atravessa a nuca E esse nó que me machuca, A vontade que não é pouca E essa fome de sua boca. Ai, suas mãos suadas molhando o meu corpo, Arrepiando minha pele, Me carimbando com calma E deslizando sem trauma. Ai, essa distância maldita, Esse ciúme mal-dito, Essa esperança bendita, E essa minha alma aflita. Ai, essa dor que me mata, E as promessas sem data. Esse amor que eu carrego, Solidão que renego. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Comments: PRA ME LEMBRAR DE VOCÊ SERIA PRECISO PRIMEIRO ESQUECER Telma Costa Não, eu não me lembrei de você! Como eu poderia me lembrar de você Se pra me lembrar de você seria preciso primeiro esquecer?! Como esquecer a magia que foi te conhecer? Como esquecer o afago, o carinho, O beijo gostoso por toda uma noite? Por que fugiste de mim? _Teria sido nada tudo o que vivemos? Foi uma pergunta que me fiz cem vezes Durante esses meses. Tiveste tudo de mim: Meu corpo, minha alma, Meu amor, minha devoção, Minha dor, minha desilusão, Minha mágoa e meu desprezo. Mas nunca, por nem um momento, Tiveste meu esquecimento. Por isso não me lembro de você: Porque nunca esqueço você! postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Sábado, Junho 11, 2005 Comments: NUNCA VOU ESQUECER VOCÊ Telma Costa Nunca vou esquecer você. Nunca vou perdoar você, Nunca vou entender você, Nunca vou penetrar sua couraça, Nunca vou desatar os seus nós, Nunca vou decifrar o seu olhar, Nunca vou decifrar os seus mundos, Nunca vou desatar seus sentimentos, Nunca vou penetrar seu coração, Nunca vou entender sua opção, Nunca vou perdoar sua omissão. Nunca vou esquecer você. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Segunda-feira, Maio 09, 2005 Comments: QUESTÕES INÚTEIS Telma Costa Me arrepender do que foi, ou do que não foi : Pra que serve essa equação? Pra que serve essa questão? Que maior perda de tempo pode haver Do que pensar no beijo não roubado, No encontro desmarcado, No abraço não dado, Na vida não compartilhada? Pensar que as palavras poderiam ter sido outras Ou ditas em momento outro, Que as promessas poderiam não ter sido feitas, Ou ao menos cumpridas, Que eu poderia ter notado que eu me repetia nos tipos que escolhia? Por isso, como eu dizia, Tenho que cuidar da minha vida. Parar com essas questões. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Sexta-feira, Abril 29, 2005 Comments: O MEDO Telma Costa Pra quem tem, mesmo que remota, A leve esperança de um futuro melhor, A leve esperança de uma esperança, O que resta é continuar... E os próprios medos enfrentar. Não há outra maneira de deixar de ter medo, Não há outro meio de exorcizar os próprios fantasmas, Não há outro modo de matar nossos monstros gigantes, A não ser assumindo o enorme medo que nos devora, Que nos afeta, Nos deprime, Nos oprime. É preciso dar carteira de identidade aos monstros, Chamar os fantasmas pelo nome e sobrenome. É preciso não desviar o olhar, Necessário a ferida tocar. Desde criança nos ensinaram que era preciso coragem para enfrentar o dragão, Quando na verdade é preciso apenas enfrentá-lo. Aos outros caberá dar o nome de coragem, Mas ao corajoso, no caso, só restou encarar e lutar. Ele enfrenta porque, no exato momento, Se vê numa bifurcação, Tendo que fazer uma opção: Ou não encara e morre, Ou encara e talvez vença, Essa é a recompensa! É lutar ou morrer, Não tem pra onde correr! E a morte, nesse caso, é lenta, Ela drena por dentro, E a gente perde o centro. A coragem cabe aos outros detectar, E a nós resta apenas lutar, Enfrentar. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Domingo, Abril 24, 2005 Comments: ... postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Quarta-feira, Abril 13, 2005 Comments: VERSOS DERRAMADOS É muito comum hoje a poesia de blog. Comum e vantajosa: a rede virtual democratiza os meios de divulgação para escritores, contistas e poetas que, antes, permaneciam ocultos e desconhecidos até que alguma editora menos cética ou certo editor mais ousado resolvesse lançar seus livros. Agora, enfim, são lidos. Lidos e comentados. Basta visitar um desses blogs à disposição de curiosos e literatos. Quem vai, por exemplo, ao de Telma Costa (telmacosta.blogger.com.br), cantora com vários musicais e shows diversos no histórico de sua recente carreira, encontra boa poesia , se por boa poesia entendemos o texto regado de lirismo a regar de emoção as almas. E talvez tenhamos justamente aqui a principal característica dos poetas de blog: seus textos chegam à tela, em face da rapidez e do imediatismo que os recursos da internet colocam a serviço dos dedos no teclado, ainda carregados do primeiro impacto que os inspirou, sem excessivas preocupações com formas ou apuro lingüístico. Quem lê a produção de grande parte desses poetas tem a impressão de que são textos urgentes, recém-nascidos, exibidos com o esbranquiçado grumo sobre a pele nova e o cordão umbilical ligado ao ventre, repletos de emoção incontida, cujo registro não soube, nem poderia, aguardar qualquer enxugamento. Atentemos para um dos poemas de Telma Costa, "Além do Horizonte". Logo de início notamos a clara intenção da autora: quer quebrar um paradigma, redefinir um conceito: "Aprendi desde criança, na barra da saia de minha mãe, tias e vizinhas, que traição é pecado, é desacato, é desrespeito". Determinada a romper com o pensamento de uma geração alheia à sua (representada por mães, tias, vizinhas que "não trocavam experiências, não falavam de sexo, não falavam de vida", mas sabiam trocar "receitas de doces e bolos" enquanto comentavam "a traição do fulano"), para quem a aparência era mais importante do que a autenticidade dos sentimentos (conforme o trocadilho no verso "eram mal amadas, bem arrumadas"), uma geração sem conteúdo ("secas como uva passa", "sem cheiro como fruta de véspera" e "sem graça na alma"), em busca de compensações ("a traição dos homens as consumiam e se orgulhavam da própria fidelidade"), no rumo da frustração e do vazio ("sem sol, sem ar, sem água, elas iam murchando"), a poeta procura o "valor ao contrário" da traição, o seu sentido oculto, e confessa: "Hoje eu traio o meu amor, e é quando eu mais amo o meu amor". Cruzando a linha proibida do horizonte é que descobre a saudade, o afeto, o "misto de fogo e água" que é "tesão e leveza". Ao retornar do horizonte além, que tanto amedrontava antigos navegadores, ela é capaz de perdoar desafetos e defeitos do seu amor, e volta "inteira, renovada". No ato da traição, em vez de sentir-se culpada por cometer um delito, sente-se redimida. E mais: surpreende-se liberta de interpretações alheias ao seu próprio modo de entender: "Furei o cerco. Não repeti a história ancestral". Na leitura de "Além do Horizonte" é fácil perceber que a emoção transpira por todos os poros do poema. Trata-se de um desafio constante para o poeta adequar o sentimento à forma, aos cuidados com a linguagem, a esse artesanato mais frio e impassível da moldagem das palavras, da construção geométrica das frases, da gradativa acomodação das idéias aos versos. Indômitos, os sentimentos não se deixam enquadrar e saltam para o papel virtual dos blogs ainda imaturos, também fruta de véspera, produzindo versos derramados. Por isso flagra-se no poema pronomes que podiam ser suprimidos ("hoje traio meu amor" substituindo "hoje eu traio o meu amor") e outros que deviam ser usados ("e é quando mais o amo" em vez de "é quando eu mais amo o meu amor"), no intuito de , para usar duas expressões da própria autora , contrapor certa leveza da língua ao tesão da inspiração. Os versos possuem ritmo musical constante, evidenciado pela repetição de palavras ("é pecado, é desacato, é desrespeito", "sem sol, sem ar, sem água", "volto bem humorada, volto em paz, volto mulher"), muito provavelmente como resultado do envolvimento da autora com a música e o canto. Telma Costa, enfim, é poeta em formação. E em seus textos demonstra habilidade literária cada vez mais afinada. Ela mesma, como fez ao subverter o conceito de traição, avança sem receio para além do horizonte da poesia. Convém acompanhá-la de perto, pois estamos diante de uma autora em pleno desabrochar, uma "fêmea no cio". Das suas ousadias, a poeta promete voltar em paz, voltar mulher. Porque volta melhor. D'ABERTO LEMOS (09.05.2005) postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Terça-feira, Abril 12, 2005 Comments: A BOCA FOI FEITA PARA O BEIJO Telma Costa "Boca foi feita pra beijar" E minha boca gosta do tema, Minha boca gosta do lema. A boca está para o beijo Assim como o beijo está para a boca. Essa é a equação! Primeiro vêm os lábios macios, Depois a língua relaxada _Porque com tensão não tem tesão, E em seguida, saliva. Só depois vem a fala, as cordas vocais. Há de se atentar para o fato E não mudar a seqüência dos atos. Observar a seqüência pra não mudar as conseqüências! Ao beijar mais e falar menos, A vida teria outro prumo E a conversa teria outro rumo. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Terça-feira, Abril 05, 2005 Comments: CASTELO DE AMOR Telma Costa O nosso castelo Construído de amor, Agora está vazio de nós, De conversa e prazer. Nossos planos, Risadas, Sussurros, Segredos, Ainda resistem ao tempo. Vamos voltar, Reformar, Investir, Reformular, Vamos reconstruir... E depois de aprender É preciso entender Que o que temos é forte, Não é prêmio de sorte. Resistiu ao tempo, À chuva, Ao vento. Então, dê sua mão, Vem comigo, então, Ocupar nosso espaço, Me dê um abraço. Perdoe, Eu me entrego. Esqueça, Eu esqueço. Me abrace, Eu enlouqueço. Todo amor tem seu preço postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Comments: ANÚNCIO Telma Costa Ofereço o meu amor A quem não tenha medo de enredo, Nem tenha medo de amor. Ofereço as carícias de uma mão carinhosa À pele que não rejeite Uma gata manhosa. Ofereço o meu olhar terno Ao olhar que possa ler o meu. Ofereço o meu colo quente À cabeça que se entregue. Ofereço a minha voz suave Ao coração sem entrave, Ao coração que deseje, Ao coração que me almeje. Ofereço minha boca macia À boca que possa tocar a minha alma Sem pressa... Com calma. postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Comments: TÍMIDA, ÚMIDA E LINDA Telma Costa Meus olhos pousaram sobre os teus E meu coração nunca mais te esqueceu. Queria pular os dias e antecipar tua vinda. _Ai, que essa espera se finda! Como será te rever? Como será me perder? Você tem sido tão atencioso, Tão amoroso, Tão natural, Tão especial... Como será o meu olhar sobre o teu Agora que te sei meu? Como será minha boca na tua, Como será ficar nua? Ficarei tímida, Ficarei úmida. Ficarei linda! Enfim essa espera se finda! postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments: Comments: DESAFIO Telma Costa Abaixar os escudos, Derrubar as muralhas, Deixar o vento soprar, E deixar-me levar, E aprender, E ensinar. Aí, então, Fortalecer as asas pra voar contra o vento. Fortalecer os braços pra nadar contra a corrente. Fortalecer o pescoço pra manter a cabeça em pé. Fortalecer os olhos pra não perder o alvo. Fortalecer a sola dos pés pra passar sobre as pedras e caminhar sobre as marés. Humildade e esperança pra alcançar o final e experimentar a bonança. Muita paz no coração, pra não perder o gosto bom, não perder a diversão, não perder a paixão, e não desafinar na canção! postado por: Telma Da Costa telmacosta@globo.com Comments:
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